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"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes". (Paulo Freire)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

HISTÓRICO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA A EDUCAÇÃO NO VILAREJO DE CANDEIAS ATÉ A SUA EMANCIPAÇÃO*


Leonilson Bitencourt Botelho**

RESUMO

Esse artigo teve como objetivo apresentar todo o projeto de estágio realizado na disciplina de Estágio Supervisionado, foi desenvolvida a pesquisa sobre o histórico das políticas públicas voltadas para a educação no vilarejo de candeias até a sua emancipação. A pesquisa foi realizada pelo método indutivo, pesquisa bibliográfica, entrevista com moradores antigos, pesquisa documental e analise dos dados. A hipótese levantada foi que o Estado demorou para efetuar as políticas públicas relacionadas à educação, e principalmente, ofereceu pouca infra-estrutura para estimular o povoamento e desenvolvimento da região do vilarejo de candeias. O descaso e abandono pelas partes governamentais foram culminantes para que o desenvolvimento não chegasse ao vilarejo.

PALAVRAS-CHAVE: Políticas Públicas. Educação. Povoamento. Descaso.

1 INTRODUÇÃO

A educação é fundamental para o desenvolvimento da intelectualidade de um povo, é uma ferramenta essencial para formar no indivíduo o senso crítico apurado e principalmente capacita politicamente o mesmo para que possa reivindicar os seus direitos como cidadão e tomar decisões para o bem da sua cidade. Segundo Paranhos (1988, p. 49):

Muita gente torce ou franze a testa quando se começa a falar de política. Há mulheres que, quando estoura na sala a discussão sobre política, correm para a cozinha, pois, afinal de contas, ‘política é assunto pra homem’. Homens e mulheres, indistintamente, por vezes trocam as palavras pelo silêncio, fugindo às discussões políticas sobre o cômodo pretexto do que ‘ religião e política não se discutem’. Jovens, numa proporção assustadoramente grande, voltam às costas para as questões políticas, preferindo ficar ‘na sua’ e disparam sua condenação inapelável: ‘ política é caretice’. E por aí vai. Torna-se inevitável reconhecer que as ações políticas andam em baixa na bolsa de valores populares.

O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo (art. 5º, LDB).

É dever do Estado fornecer uma educação de boa qualidade e promover a infra-estrutura básica para o bem comum de uma população, isso faz parte das políticas publicas. Segundo o artigo 10 da Constituição Federal de 1934:

Art. 10 - Compete concorrentemente à União e aos Estados:

I - velar na guarda da Constituição e das leis;

II - cuidar da saúde e assistência públicas;

III - proteger as belezas naturais e os monumentos de valor histórico ou artístico, podendo impedir a evasão de obras de arte;

IV - promover a colonização;

V - fiscalizar a aplicação das leis sociais;

VI - difundir a instrução pública em todos os seus graus;

Foi analisado o histórico de políticas públicas voltadas para a educação no vilarejo de candeias até a sua emancipação. Tínhamos como objetivos específicos identificar os fatores que levaram o estado a investir em educação no vilarejo de Candeias; investigar os objetivos que essas políticas educacionais queriam obter; verificar quais foram às políticas educacionais e nas outras áreas voltadas para o desenvolvimento do vilarejo.

É de suma importância ter algum material-documentado para que outras pessoas possam pesquisar e conhecer mais do passado da localidade onde moram. Outro ponto de grande relevância é que essa pesquisa poderá ser utilizada nas instituições públicas de ensino do referido lugar para a reformulação e comparação dos dados com o que a instituição tem no seu projeto político pedagógico.

Este projeto de pesquisa justifica-se devido a grande necessidade de ter um trabalho científico para ser instrumento de pesquisa para toda a comunidade local e para o meio acadêmico, e também fundamental para incentivar o desenvolvimento crítico do indivíduo em relação às políticas públicas que são em grande maior não atendem a real necessidade da população.

“A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (art. 2º, LDB). Estaremos este ano em época de eleição e restaurando o passado poderemos evitar erros no futuro, é de imensa relevância conhecer o passado para que se possa melhorar o futuro da educação, e do agora município de Candeias do Jamari. Conforme registra Herkenhoff (1987, p.8), “educação não é um tema isolado, mas decorre de decisões políticas fundamentais. Isto é, a educação é uma questão visceralmente política”.

2 DESENVOLVIMENTO

As políticas públicas no Brasil, devido as vários fatores, como a falta de projetos, o mau planejamento,o desvio de recursos financeiros, o mau investimento do orçamento. Tudo isso trás o descaso e o abandono como relação aos investimentos em educação no país. Investimentos voltados para infra-estrutura como base para uma boa sobrevivência, e na educação é fundamental pra o desenvolvimento do indivíduo na sua formação da cidadã e de consciência crítica para lutar pelos seus direitos cíveis.

No estado de Rondônia e em todo país a educação não é priorizada como deveria ser devido a sua grande relevância para que o estado tenha um futuro de avanços tecnológicos e conhecimentos científicos utilizados na vida prática da sua população. “EDUCAÇÃO, APRENDER. Aulas, alunos, provas, professoras. Material escolar. Livros e leituras. Transmissão da cultura de geração a geração” (LOPES & GALVÃO, 2001, p 15). Por esse motivo que a educação deve ter uma preocupação especial, ou seja, têm que ser realizadas políticas públicas bem definidas para que todos os elementos acima citados possam ter um bom papel que é resultando em aprendizagem e conscientização.

O vilarejo de Candeias tem origem no primeiro ciclo da borracha (1875 – 1912) quando começa a ser estalados os seringais no alto Candeias e na região da cachoeira de Samuel no rio Jamari, outro ponto de grande relevância histórica para o vilarejo de Candeias foi a passagem do então coronel Rondon construindo as linhas telegráficas e criando posteriormente um posto dos correios no vilarejo e em dezembro de 1909 Rondon chegava a Porto Velho, concluindo a trilha para a implantação da linha telegráfica, Cuiabá – Santo Antônio.

Os primeiros investimentos na região não tinham como objetivos educacionais.“Tentou-se ainda durante a II grande guerra (1939-1945) a implantação de núcleos de colonização, baseadas na agricultura, visando minorar o problema do abastecimento de interno” (TEIXEIRA & FONSECA, 1998, p. 161). Os investimentos no vilarejo de Candeias começaram na década de 40. “Tem sua origem oficial a ser instalado no local pertencente ao município de Alto Madeira com sede em Santo Antônio, pelo Governo do Estado de mato Grosso, um Distrito Policial criado pelo Ato n.º 2.213, de 14 de novembro de 1939” (SOUZA apud ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE RONDÔNIA, 2007). A primeira política voltada para a educação no vilarejo de candeias pelo Estado foi à criação da primeira escola do vilarejo.

A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola. Deve inspirar-se nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana (Constituição federal de 1946, art. 166). Baseando nessa lei, em 4 de junho de 1948, foi construída a Escola Teodoro de Assunção, baseada no O desenvolvimento do vilarejo de Candeias e a sua importância para o então território do Guaporé, especificamente para a capital, que era em principio no Alto Madeira, logo depois, Porto Velho tornou-se a capital do território, o vilarejo de Candeias era um principal ponto de arrecadação de impostos sobre as borrachas produzidas nos seringais do alto rio candeias no segundo ciclo da borracha e fiscalizava também todo tipo de material que passava a BR 29 (atual BR 364). O plano do estado era criar em Candeias uma vila agrícola para abastecer a capital do território. Segundo o site vem Brasil (2007):

O insignificante lugarejo à margem direita do rio Candeias servia de ponto de estacionamento de quem se dirija para os seringais do alto rio Candeias, bem como de depósito de borracha que desciam o rio, o lugarejo fica no ponto de cruzamento da rodovia mato Grosso - Amazonas facilitando o transporte de produção para Porto Velho ou para Cachoeira de Samuel onde aportavam as gaiolas e as outras embarcações de menor porte vindos de Manaus e para onde retornavam. No final da década de setenta Candeias começou a expandir o núcleo urbano, a agricultura, o comércio e o turismo que proporcionam as praias do rio Candeias.

Segundo o Sr. Portela morador artigo da região, na década de 50 é criada uma delegacia que possuía um só policial que tinha como delegado o administrador a colônia agrícola de Candeias, o mesmo administrador era também diretor da escola Teodoro de assunção e a sua mulher foi à primeira professora da escola.

Foi pesquisado ainda que o vilarejo possuía um posto médico mas o médico só vinha uma vez no mês e quando vinha, os moradores quando ficavam doentes tinham que ir para Porto Velho utilizando como transporte de tração animal ou iam sendo carregados dentro de redes. O vilarejo possuía uma casa de farinha, uma descascadora e beneficiadora de Arroz e quase toda semana vinha uma caminhonete de Porto Velho para busca o que era produzido no vilarejo.

Na década de 70 é recomeçada a construção da estrada (BR – 29) pelo 5° BEC (5° batalhão de engenharia e construção), a balsa ainda estava em funcionamento mas já não estava suportando o transito já intenso, então começaram a construção da atual ponde o rio Candeias.

Nos anos 80 quando a estrada (BR – 29) , que hoje é a atual (BR – 364), já tinha sido terminada e já estava toda no asfalto. Como já foi citado anteriormente, havia uma vila na cachoeira de Samuel no Rio Jamari, que por sinal já estava bem adiantada que o vilarejo de Candeias, contudo o lugar foi escolhido para ser construída uma hidrelétrica e a população da vila de Cachoeira de Samuel teve que ser retirada, pois toda a vila seria ficaria no meio do grande lago da Usina hidrelétrica de Samuel e essa população foi trazida para o já então distrito de Candeias aumentado a sua população em 3 vezes a já existente, dando origem a parte do bairro satélite e parte do bairro união. A prefeitura de Porto Velho tinha um programa de distribuição de terra chamado “promoção social” onde as famílias menos favorecidas faziam suas inscrições para receber um lote de terra, primeiramente foram distribuídos os lotes de terra dos bairros JK I e II, Tancredo Neves e São Francisco. Em 1987 começaram a fazer a distribuição dos lotes do Distrito de Candeias, dando origem aos bairros união e o palheiral. Apenas foi feita a distribuirão dos lotes, é muitos lotes ainda tinha mata e era preciso fazer uma derrubada das árvores nativas, as ruas foram demarcadas pelo administrados de Candeias e pelos moradores e depois que a prefeitura veio abrir as ruas com os maquinários pesados.

A Escola Estadual Ensino Fundamental Jaime Barcessat, recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro da Hidrélica de Samuel, que faleceu num trágico acidente de helicoptero ao vir vistoriar a obra, criada através do Decreto Lei Nº 3495 de 11 de novembro de 1987, nesse Decreto consta:“Cria, em vila Candeias, município de Porto Velho-Ro, a Escola de 1º Grau “Jaime Barcessat”, no governo de Jerônimo Garcia de Santana.

As instalações contava inicialmente com 01 sala de aula de 5ª série, em média com 55 alunos, e outra sala dividida ao meio, onde funcionava as turmas de 6ª e 7ª série, a 8ª série funcionava do outro lado da rua, numa pequena venda que pertencia ao professor Wanderley, que era o diretor da escola, atendia no período da manhã as turmas de 1ª a 4ª série.

No ano de 1989, a escola enfrentou um forte temporal, o qual destruiu a pequena instalação, os alunos ficaram revoltados, pois ficaram sem aula, para não perderem o ano letivo, alunos e professores invadiram uma escola em construção, a escola permaneceu fechada por aproximadamente quatro anos, iniciando após esse período sua construção, foram construídas 03 salas de aula de madeira, sala da direção e secretaria.

Atualmente, a escola conta em suas instalações com 10 salas de aula, dois refeitórios, uma cozinha, dois depositos, sala de multimeios, secretaria, direção, sala de supervisão e orientação e outras dependências.

A escola foi criada para atender inicialmente os moradores da comunidade de Samuel atendendo atualmente os alunos das linhas, BR-364 , Pamos e comunidade de Candeias do Jamari, situado na Rua Jerônimo Santana, nº 200, bairro Satélite

A implantação desta escola para a comunidade local foi de grande valia, uma vez que os bairros circunvizinhos não possuíam uma escola que oferecesse os níveis e modalidades de ensino necessário à clientela.

No ano de 1989 começaram a fazer a distribuição de lotes na zona rural do distrito de Candeias e o INCRA (instituto nacional de colonização e reforma agrária) veio depois de um ano regularizar os lotes da zona rural do distrito de candeias, mas até então não tinha realizado nada nesse sentido.

Prefeitura de Porto velho devido à necessidade de ter mais uma escola para atender os alunos de boa parte do bairro união e todo o bairro Palheiral. A Escola foi fundada em 1988, através do Decreto nº. 3565 de 27 de Dezembro de 1988, pelo então Prefeito de Porto Velho Francisco Chiquilito Coimbra Erse com o nome de Escola Municipal de 1º grau Dom João Batista Costa. Localizada à Rua Tomás Correia S/N - bairro União, na Vila de Candeias, com 07 (sete) salas de aula para atender crianças de Pré-escolar até a 4ª série, sua denominação foi uma homenagem ao Arcebispo Dom João Batista Costa, falecido no ano de 1996, dedicando-se na luta pelos menos favorecidos e por uma educação igualitária.

A Vila Candeias pertencia a Porto Velho e foi elevada a categoria de cidade e sede do município de Candeias do Jamari em 13 de fevereiro de 1992, sendo que toda estrutura financeira, administrativa e territorial passaria a partir deste momento ser englobada pela nova estrutura administrativa do então criado município, ficando desta forma, a Escola Municipal de 1º Grau Dom João Batista Costa, antes pertencente ao município de Porto Velho, passaria neste momento a ser atrelada ao já município de Candeias do Jamari.

A primeira Diretora foi a Professora Mariete Maciel de Brito e Vice-Diretor Tadeu Miranda de Lima, nomeados através de Portaria do gabinete do Senhor Prefeito, tendo como seus sucessores os diretores abaixo relacionados:

Diretor: José Nonato da Costa

Secretária: Maria do Socorro Silva de Carvalho

Diretor: Liriano Schumbach

Diretora: Ozanir Rodrigues da Silva

Secretária: Maria do Socorro Silva de Carvalho

Diretora: Cláudia Rodrigues Portela – maio de 1997 até outubro de 1997

Vice-Diretora: Renata Ferreira Sena

Diretor: Marcos Antonio Barros de Souza – 1997 a janeiro de 2005

Vice-Diretor: Edilson Almeida Tavares - 1997 a 2000

Maria do Socorro S. Carvalho – 2000 de janeiro a 2005

Diretora: Ilda Souza dos Santos – janeiro a julho de 2005

Vice-Diretor: Dorivângelo C. Nascimento – janeiro a maio de 2005

Diretora: Rosinéia Alves Cirino - julho de 2005 ate janeiro de 2007

Vice-Diretora: Maria do Socorro S. Carvalho – junho de 2005 até a presente data.

Diretor: Gilmar Ferreira Leite – janeiro de 2007 até a presente data.

Candeias começara a se desenvolver rapidamente ainda tinha necessidade de ser criada mais uma escola, e então foi fundada em setembro de 1990, através do Decreto de Criação, n° 4.666, de 18/05/90, pelo Governador da época o Excelentíssimo Senhor Jerônimo Garcia de Santana, com o nome de Escola Estadual de 1° e 2° Graus Carlos Drummond de Andrade. Em 1998 foi denominada Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Carlos Drummond de Andrade, pelo Decreto de Denominação n° 8.367/98. O nome da Escola foi escolhido em votação direta, pela comunidade, dentre três indicações feita pela Delegacia de Ensino de Porto Velho – RO.

O poeta e literato Carlos Drummond de Andrade, nasceu no Município de Itabira, em Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902. Oriundo de uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade natal, em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta em Friburgo, no Rio de Janeiro. Formou-se em Farmácia, mas preferiu lecionar Português e Geografia, em Itabira. Em 1934 assumiu cargo público no Ministério da Educação, no Rio de Janeiro. A partir de 1950, dedicou-se a produções literárias e se tornou um dos maiores nomes da poesia brasileira, suas obras refletem a realidade do dia-a-dia. Morreu no Rio de Janeiro, em 1987, deixando obras de valores incalculáveis pela profundidade e beleza de conteúdos.

No ano de 1989, o prédio da Escola Carlos Drummond de Andrade ainda estava inacabado, quando um temporal derrubou o telhado da Escola Estadual Jaime Barcessat. Por iniciativa do diretor daquela Escola, professor Joaquim Cercino da Silva, dos professores lá lotados e dos alunos, frente a impossibilidade de continuar e concluir o ano letivo, invadiram o prédio ainda em construção, forçando o poder público a permitir o funcionamento da Escola ainda no decorrer daquele ano, para atender aos alunos da pré-escola e do 1º Grau, nos turnos matutino, intermediário, vespertino e noturno. Muitos mobiliários foram trazidos da Escola Jaime Barcessat para que desse prosseguimento o período letivo. Em breve tempo, o Governo do Estado enviou o mobiliário e equipamentos necessários ao seu funcionamento.

Somente em 1990 a Escola foi oficialmente inaugurada e efetivou matrícula dos seus primeiros alunos do ensino fundamental. Em 1991 foram criadas as turmas de ensino médio.

Na época da fundação era muito difícil a lotação de professores habilitados para o ensino fundamental – 5ª a 8ª série – e ensino médio , visto que na localidade não existiam muitos profissionais e que a lotação teria que ser feita com professores residentes em Porto Velho. A maior dificuldade era a locomoção de Porto Velho para Candeias, uma vez que o transporte coletivo era muito deficiente. Com o passar dos anos a situação foi se invertendo e em 2007 contamos com 59,25% dos professores radicados no Município de Candeias do Jamari e em 2008 65,2%, destes 60,9% são estatutários estaduais; 34,8% contrato temporário e 4,3% estatutário federal.

O primeiro diretor foi o professor Joaquim Cercino da Silva, que dirigiu a Escola de 1990 á 1992 e na função de secretária Maria Graziela Barros S. Schuwamback que permaneceu até 1999.

No dia 31 de agosto de 2003, foram realizadas as primeiras eleições para direção das escolas em todo o Estado de Rondônia. A professora Rita Carvalho Recktenvald e o professor Manoel Campos Prestes concorreram ao cargo. O professor Manoel Campos Prestes foi eleito e assumiu novamente a direção no dia 16 de setembro de 2003, tendo como vice-diretor o professor Gilmar Ferreira Leite, essa equipe permaneceu até dezembro de 2006. Em janeiro de 2007 foi nomeada diretora a professora Edineide Gonçalves de Brito e vice-diretor o professor Marco Antonio Barros de Souza e equipe permaneceu até dezembro de 2007, quando foi nomeada para a direção da escola a professora Edina de Azevedo Klein, mantendo a mesma vice-direção.

Desde a sua fundação até o ano de 2001 a Escola ofereceu o ensino fundamental – 1ª a 8ª série – e ensino médio na modalidade de ensino regular. A partir de 2002 o ensino de 1ª a 4ª série foi extinto, permanecendo o atendimento ao segundo segmento do ensino fundamental e ensino médio. Em 2003 foi implantada a Educação de Jovens e Adultos, com Curso de Suplência de Ensino Médio Seriado Semestral, noturno, através da Portaria N° 760/GAB/SEDUC de 17 de dezembro de 2002.

No período de 1997 a 1999, a Escola prestou atendimento a uma turma do curso de Técnico em Contabilidade, que funcionava como extensão da E.E.E.F.M. Rio Branco, de Porto Velho.

Com a chegada de professores habilitados e com a implantação do Programa de Habilitação e Capacitação de Docentes – PROHACAP - a Escola começou a implementar projetos interdisciplinares de cunho educativo, social, cultural e esportivo, visando a formação plena do cidadão.

Em 2001 os alunos se organizaram e formaram o Grêmio Estudantil “Paulo Freire” com a finalidade de defender os interesses dos alunos, incentivando as atividades literárias, artísticas, desportivas, culturais, políticas e sociais e lutar pela democracia dentro e fora da Escola, com o passar dos anos a entidade foi perdendo sua força, em 2006 o Grêmio Estudantil não atuou em virtude da transferência do seu presidente.

Visando democratizar a gestão escolar, em 2002 foram eleitos os Conselheiros do Conselho Escolar, órgão consultivo, deliberativo e fiscalizador no âmbito escolar para auxiliar a direção, visando refletir e decidir sobre as questões pedagógicas, financeiras e administrativas. Esse conselho atuou com eficiência até o final de 2004, quando venceu o mandato dos conselheiros. A partir de então a escola não mais realizou eleições para o referido órgão. Em 2007 alguns professores pediram a reativação do Conselho Escolar, mas a direção da escola não viabilizou o processo eletivo. No ano corrente existe uma parcela da comunidade escolar interessada em reativar o Conselho Escolar.

Devido à emancipação desgovernada de muitos vilarejos e vilas em todo o país que tinham uma população pouco expressiva e uma infra-estrutura muito precária, começa a ser discutida uma lei que freasse essas emancipações, adiantou-se o então governador Piana e elevou a município o Distrito de Candeias juntamente com mais 15 cidades pela Lei n.º 363, de 13 de fevereiro de 1992. Devido já existir um município no estado da Bahia por nome Candeias, para poder emancipar o distrito de candeias teve que acrescentar “do Jamari” em homenagem ao Rio Jamari que é onde o Rio Candeias deságua, ficando oficialmente conhecido por município de Candeias do Jamari.

Ao passar para município candeias do Jamari herdou uma educação que não é valorizada, contudo a educação é feita por pessoas de amam essa profissão, herdou um saúda que está beirando a UTI (unidade de tratamento intensivo), pois se o indivíduo adoece não vai ser levado na rede para Porto Velho mas agora vai de Ambulância. Segundo Leite (2007, p.10):

O Município não oferece muitas opções de trabalho, lazer, cultura e esporte. O sistema de saúde é precário, não tem maternidade, os problemas mais complexos são encaminhados para Porto Velho. Não existem escolas mantidas pela iniciativa privada, escolas de línguas e idiomas e escolas de ensino superior.

Grande parte dos munícipes trabalha em Porto Velho e por este motivo estudam, fazem suas compras e procuram atendimento de saúde e bancário naquele Município. Estes fatores contribuem para que a comunidade não construa uma identidade própria, tornando-se dependente da Capital nos aspectos econômico, social, cultural, de lazer, etc.

Para obter os resultados foi realizada uma pesquisa qualitativa, pois foi mais adequada, do tipo bibliográfica e descritiva dos dados que foram investigados, foi feita a interpretação dos fatores culminantes que levaram o estado a efetuar as políticas publicas voltadas para a educação na região do vilarejo de Candeias, foram coletados os dados através de entrevistas com moradores desde a origem até a emancipação do vilarejo.

Foi feita a investigação dos dados bibliográfico e documentais da seguinte época investigada, e também, foi realizada entrevista com moradores pioneiros na região de Candeias.

O tocante da pesquisa de campo nas instituições que tiveram grande relevância para o objetivo que foi alcançado, houve uma coleta de dados através de pesquisa bibliográfica, documental e foi realizada filmagem da entrevista com os moradores pioneiros da região.

Foi elaborado um plano de análise, tendo como referência os dados documentais, bibliográficos e entrevista. Todos esses dados foram analisados cuidadosamente, tanto os dados documentais como os bibliográficos e foram utilizadas as entrevistas para enriquecimento e esclarecimento dos prontos de vistas históricos que nem os documentos revelam.

3 CONCLUSÃO

Analisando todos os dados adquiridos através de pesquisa bibliográfica, entrevistas com moradores antigos e de alguns documentos, podemos estar confirmando até o presente momento já investigado, devido aos relatos de alguns moradores que moram no município de Candeias do Jamari desde quando ainda era vilarejo e partir do histórico-documental já pesquisado e analisado até o presente momento dar uma grande credibilidade para a ratificação da hipótese já levantada. Realmente o Estado demorou para efetuar as políticas públicas relacionadas à educação, e principalmente, ofereceu pouca infra-estrutura para estimular o povoamento e desenvolvimento da região do vilarejo de candeias.

O descaso e abandono pelas partes governamentais foram culminantes para que o desenvolvimento não chegasse ao vilarejo. Somente a partir da década de 80 devido a vários fatores como o termino da BR – 364 com a construção da ponde de sobre o rio Candeias viabilizando o tráfego de cargas pesadas, a construção da hidrelétrica de Samuel e a transferência da população lá existente para o distrito de Candeias, e a distribuição tardia do lotes do bairro união e do palheiral. O investimento na saúde não foi suficiente para que a população tivesse um bom tratamento clinico e odontológico, se que sempre Candeias foi , é e provavelmente sempre será dependente de Porto Velho se não houve políticas públicas para reverter essa situação. O município espelha o descanso do passado, a escola não conseguiu criar nos moradores candeiense o senso crítico para analisar politicamente o que é melhor para a sua cidade, isso é também resultado do que a escola do passado queria obter de seus alunos, homens prontos para o trabalho, mas poucos críticos sobre os seus direitos como cidadãos.

Tudo isso poderia ser sancionado através do maior desempenho e interesse do estado em realiza as políticas públicas voltadas para a educação.

4 REFERÊNCIAS

MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Cientifico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

LAKATOS, Eva Maria; Marconi, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho Científico: Procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2006.

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* Artigo apresentado como requisito avaliativo da disciplina Introdução ao Trabalho de Conclusão de Curso – TCC I. Oferecido pela Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia FATEC/RO, orientadora: profª.: Edna Maria Cordeiro e definido em jul/2008.

** Acadêmico do 5° período de Pedagogia da Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia FATEC/RO.


SITE CANDEIAS DIGITAL.: História de Candeias do Jamari. Disponível em: www.candeiasdigital.com/HistoriaCand.htm > .Acesso em: 20 abr. 2008.

SITE VEM BRASIL.: evolução recente e perspectivas futuras. Disponível em: .Acesso em: 23 abr. 2008.

SOUZA apud ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE RONDÔNIA.: Candeias do Jamari. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2008.

OLIVEIRA, Ovídio Amério de. História e Geografia do Município Candeias do Jamari. Porto Velho-RO: Dinâmica, jan. 2003.

TEIXEIRA, Marco Antônio Domingues; FONSECA, Dante Ribeiro da. História Regional: Rondônia. 2 ed. Porto Velho-RO, Rondoniana, 1998.


BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil-1988. Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil–1934. Rio de janeiro: senado federal,1934.

BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil–1946. Rio de janeiro: senado federal,1946.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases, Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, 1996.

LEITE, Gilmar Perreira. A Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom João Batista Costa Em Candeias do Jamari – RO. Trabalho de Conclusão do Curso. Porto Velho, 2007.

LOPES, Eliane Marta Teixeira; GALVÃO, Ana Maria de oliveira. História da educação. Rio de Janeiro: DP& A, 2001.

HERKENHOFF, João Batista. Constituinte e Educação. Petrópolis: Vozes, 1987.

MARCELLINO, Nelson Carvalho (org). Introdução às ciências sociais. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 1988.



* Artigo apresentado como requisito avaliativo da disciplina Introdução ao Trabalho de Conclusão de Curso – TCC I. Oferecido pela Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia FATEC/RO, orientadora: profª.: Edna Maria Cordeiro e definido em jul/2008.

** Acadêmico do 5° período de Pedagogia da Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologia FATEC/RO.