A EDUCAÇÃO DO MERCOSUL: UM CAMPO
MUITO GRANDE PARA SER CONQUISTADO
Leonilson
Bitencourt Botelho
Resumo:
Esse
artigo tem por objetivo mostrar o quanto as autoridades participantes Mercosul que são responsáveis para debate e solucionar
os problemas educacionais tem feito para o desenvolvimento do bloco, veremos
também que a educação é o prato
principal para a obtenção de tecnologias e para a diminuição da desigualdade
social. É muito grande o campo educacional que precisa ser levado a sério e
repensando para que seja erradicada a miséria e que haja a consciência critica
no decorrer da vida de cada cidadão.
Palavras-chaves:
Educação, descaso, desenvolvimento, desigualdade.
INTRODUÇÃO
Até a década de 80 o mundo estava dividido em
dois grandes grupos: os países capitalistas liderados pelo Estados Unidos da
América (USA) e os países comunistas liderados pela União das Repúblicas
Soviéticas Socialistas (URSS), com o desmoronamento do sistema comunista em
1989, o capitalismo passou a imperar sem concorrência, os países precisavam se
defender e ser mais competitivos num mundo chamado então de nova globalização
com novas oportunidades e novos desafios.
O
mundo passou a ser dividido em blocos econômicos para poder enfrentar em pé de
igualdade a superpotência Norte-Americana que é o Estados Unidos, seguindo essa
tendência mundial da época o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foram um
bloco por nome MERCOSUL que significa Mercado Comum da América do Sul. Os
planos iniciais eram diminuir da taxa tributaria na exportação e importação,
estabelecer parcerias nas pesquisas e trabalhos científicos (educação), criação
de uma moeda única e estabelecimento de taxas de desenvolvimento. Entre essas
metas somente a taxa tributaria foi dada a devida importância e nos últimos
anos a questão educacional no Mercosul está ganhando a devida importância por
causa das pós-graduações e graduações que estão sendo muito requisitadas pela
questão financeira principalmente medicina na Argentina e as pós-graduações no
Paraguai.
No
Mercosul a educação não é vista como prioridade, e isso é notório, quando
observamos as parcerias entre as universidades na questão de pesquisa que é
quase nula, observamos também que não é pensada na educação de nível
fundamental e nem médio (um exemplo disso é a segunda língua escolhida nas
escolas brasileiras que é a Língua Inglesa e não a espanhola). Quando se quer trabalhar a integração de vários
países como é o caso do Mercosul é necessário que haja um entendimento
linguístico entre os países, ou seja, no Paraguai, Argentina e Uruguai terem a
língua portuguesa como segunda língua e no Brasil o Espanhol.
Deveríamos
ter uma educação básica como os mesmos objetivos e os parâmetros curriculares
semelhantes, não tirando a soberania de cada país, mas visando uma educação
integradora. A educação libertaria de Paulo Freire rompeu as barreiras das
línguas e da distancia cultural entre o Brasil e os países de língua espanhola,
deveria ser retomada as discursões sobre educação a partir essa perspectiva
freireana.
A EDUCAÇÃO NO MERCOSUL: APENAS MAIS UM INSTRUMENTO DE
DOMINAÇÃO.
A
educação é fornecida pelos Estados que compõem o Mercosul, mas não há
preocupação com a qualidade de ensino. A elite que governa esses países pensa
que quanto mais ignorantes os eleitores é mais fácil de ludibriar e se
perpetuar no poder. Por isso a educação está jogada as traças, esse processo de
desvalorização da educação está em todos os níveis de ensino.
O
grande mal da educação está na educação de base, não está formando alunos com
capacidade de seguirem com os estudos posteriores. Mas há uma política que não
está preocupada com qualidade e sim com quantidade. A educação no Brasil não
melhorou de acordo com o Senador brasileiro Cristovam Buarque (2011):
...do ponto de vista da educação de base,
como deveria; vai mal quando a gente percebe que as pequenas melhoras na
educação deixaram a gente para trás, porque a melhoria foi menor do que as
novas exigências por educação.
Houve um tempo em que educação quase não
era necessária; então, qualquer educação satisfazia. Agora, Senador, a educação
melhora um pouquinho, mas as exigências são muito maiores.
É como se nós andássemos ficando para
trás, porque nós andamos, e o resto do mundo anda ao lado mais depressa.
Este foi um ano ímpar, do ponto de vista
da constatação de que a economia pode estar bem, mas não vai bem.
Este foi um ano ímpar, também, quando a
gente analisa que descobrimos que não apenas a educação básica não está dando
salto, mas que os saltos no ensino superior estão sendo afundados por falta de
uma educação de base.
Começamos a fechar faculdades. Quando a
gente começa a fechar faculdades, precisava acender uma luz de que algum erro
está se cometendo. E o erro é tão claro, é tão visível, que dá raiva que as
pessoas não percebam. O erro, Senador Paim, é que a educação de base é ruim. E
nós aumentamos tanto as vagas no ensino superior que, hoje, tem vaga para
qualquer pessoa que queira. E aí entram pessoas que não estão preparadas, que
não têm vocação, que não são perseverantes, que não tiveram uma formação mínima
necessária.
Desperdiçamos dinheiro, abrindo faculdades
para um número de pessoas que não vão poder concluí-la, segui-la. Daí o alto
grau, o enorme grau de abandono de curso.
Todos
os país que compõem o Mercosul precisam repensar a sua visão em relação a educação que é fornecida as
populações mais desfavorecidas, pois uma nação sem educação não tem
desenvolvimento tecnológico e nem intelectual da sua população.
O
desenvolvimento de uma educação para todos dos Mercosul emperra da burocracia
política dos governantes que não vem com bom olhos a população ter o senso critico apurado por intermédio da educação
libertadora e emancipadora, a população menos
favorecida deixaria de viver do assistencialismo e poderia trilhar os seus próprios destinos .
Mas isso, tiraria muitos votos de boa parte dos políticos do Mercosul. Pensar
seriamente na educação é inviável para a classe política, sobram às emendas e
os arranjos, tudo isso não passa de manobra de dominação da burguesia. De acordo com SAES (2007, p. 98):
Isso não
significa, entretanto, que todas as classes sociais defendem a educação de
todos os membros da sociedade e empunham permanentemente a bandeira da educação universal, pelo menos no
nível elementar ou básico. Aparentemente, todos são favoráveis a essa meta; a
prática social evidencia, porém, que tal bandeira é um dos maiores mitos da
sociedade capitalista e, como tal, indispensável à reprodução desse modelo de
sociedade.
Quando
falamos em educação é preciso entender que tipo de educação interessa para os
governantes dessas nações que integram o
Mercosul. A educação atualmente no Brasil é realizada de forma ideal para que
seja confirmada ainda mais a desigualdade social já existente. Os objetivos
traçados por uma elite dominante são bem executados de forma brilhante, os
resultados são bem visíveis nas eleições tanto nas esferas nacionais como
estaduais. De acordo com DURKHEIM (1977, p. 29):
Para definir educação, será preciso, pois,
considerar os sistemas educativos que ora existem, ou tenham existido,
tomá-los, e aprender deles os caracteres comuns. O conjunto desses caracteres
constituirá a definição que procuramos.
Nas considerações do item anterior, já
assinalamos dois desses caracteres. Para que haja educação, faz-se mister que
haja, em face de uma geração de adultos, uma geração de indivíduos jovens,
crianças e adolescentes; e que uma ação seja exercida pela primeira, sobre a
segunda. Seria necessário definir, agora, a natureza específica dessa
influência de uma geração a outra geração.
O Brasil é a maior nação
do bloco e no Mercosul é reflexo da situação educacional, para muitos
pensadores educacionais brasileiros falam de uma educação utópica, que não
consegue ultrapassar as limitações das teorias. As secretárias tratam a
educação como algo possível de junta a teoria e a prática educacional dentro
ambiente escolar, mas isso é uma falácia, um engodo, a educação é realizada de
forma improvisada e até mesmo de forma precária.
É engano achar que a educação brasileira está
indo muito mal, não é por acaso que ela foi deixada na responsabilidade única
dos pedagogos, não vejo isso como incapacidade deles de resolver as questões
educacionais, mas como sobrecarga excessiva sobre a classe. A desvalorização
dos professores foi um golpe muito duro, atualmente recebem salários ridículos
e atuam em péssimas condições de trabalho. Conforme JABOR (2009):
Nessas reportagens sobre a educação, as
soluções são claras: verbas maiores para pagar professores, escolas construídas
com segurança, bem aparelhadas tecnicamente. Mas ninguém faz. Por quê? Por que
somos um dos países com o pior sistema de educação do mundo? Quais são as
causas profundas dessa vergonha?
Bem, primeiro, porque educação não traz
votos. Escolinhas limpas, quem liga para isso? Mesma coisa com a saúde. São
problemas de puro interesse social, e isso não elege ninguém. Obras só
interessam quando dão lucro eleitoral ou lucros em roubos privados.
Nas escolas, dá para roubar na construção,
nas merendas, mas é coisa pouca, é mixaria. Na saúde, ainda dá para roubar bem
mais, desviando remédios, com superfaturamentos, etc. Mas repensar a estrutura
geral da saúde também não dá grana. E dá muito trabalho!
Bom é ganhar votos e roubar em grandes
viadutos, barragens faraônicas, canais épicos. Além disso, no Brasil, como diz
o Lula, desde Cabral a educação foi programada para não haver. Portugal e a
burguesia secular jamais quiseram que o povo aprendesse. Educação é liberdade,
entendimento, perigoso! Até o século 19, tinha de haver autorização do governo
para a publicação de livros, sabiam?
Está entranhada na alma brasileira a idéia
de que pobre não precisa estudar. E muita gente acha que é até melhor que sejam
analfabetos. São mais fáceis de enganar, basta que saibam servir.
Analisando a critica do
jornalista Arnaldo Jabor e bebendo nas fontes de Durkheim, posso dizer que um
grupo da sociedade brasileira para se perpetuar no poder necessita de menos
intervir na educação. Quanto mais a educação for de baixa qualidade, mais
frágil será a criticidade dos indivíduos formadores e formandos. Essas
características não estão puma presentes somente na educação brasileira,
podemos afirmar que ela está em toda a América Latina.
Após as quedas dos regime
militares a dualidade educacional continua estabelecida entre escola pública e
privada. Nas escolas públicas os alunos não têm expectativas, os professores
estão sempre desmotivados e desunidos quando se fala em lutar por melhorias na
educação. Conforme CATTANI & KIELING (2007, p.174-175).
As classes dominantes constroem-se
continuamente, mobilizam-se sem parar para manter sua reprodução ampliada, para
assegurar sua existência cotidiana com vistas à preservação e à transmissão das
posições dominantes para seus descendentes (PINÇON; PINÇON-CHARLOT, 2003, p.
102). A formação ideológica na família e nas instituições qualificadas e a
escolarização formal são parte obrigatória desse processo de construção de
classe. Entre outros aspectos, o ambiente escolar freqüentado pelos seus pares,
constitui-se numa etapa importante da socialização dos futuros detentores da
riqueza e dos privilégios. A rede de relações iniciada num momento particular
da adolescência tende a manter-se e a reproduzir-se de forma pragmática e
utilitarista quando o momento se fizer necessário. Esse é o grande trunfo das
escolas para os muito ricos: serem empreendimentos comerciais, em princípio,
altamente rentáveis, contribuindo, ao mesmo tempo, para a formação e a
reprodução da classe dominante.
Fica
fácil fazer a dominação de massa. Até quando uma minoria vai decidir o destino
de uma imensa população? O Estado pode afirmar que está cumprindo o seu papel
de acordo com a constituição, leis e acordos internacionais para a melhoria da
educação. Mas isso não que dizer que estão interessados em mudar a realidade da
sua população. Podemos perceber isso pelo posicionamento do Estado Brasileiro
em relação a educação superior que só foi regulamentada depois de 17 anos da
criação do Mercosul. De acordo com o relatório do CNE/CES N° 6/2008 no artigo
primeiro consta:
Para os fins previstos no presente Acordo, consideram-se títulos de graduação
aqueles obtidos em cursos com duração mínima de quatro anos e duas mil e
setecentas horas cursadas, e títulos de pós-graduação tanto os cursos de especialização
com carga horária presencial não inferior a trezentas e sessenta horas, quanto
os graus acadêmicos de mestrado e doutorado.
A educação nunca foi dada
a sua devida importância, o Brasil é a 7ª potencia econômica do mundo, mas é
importada toda a tecnologia de ponta. As universidades não têm desenvolvido
pesquisas tecnológicas que possa para mais divisa para o país. As portas das
universidades e das faculdades particulares nunca antes estiveram tão escancaradas
para todo tipo de gente, isso é ótimo a partir do momento que esses acadêmicos
saiam críticos e consigam assimilar teoria e prática. Mas não ocorre isso, “há
uma sucatização da educação superior e um emburrecimento ainda mais dos
acadêmicos”.
É nesse momento que a
educação tem sua maior importância, não mais ensinando a ler e escrever, mas
lendo sem as vendas da ignorância e reescrevendo a história da sociedade com um
olhar crítico. Segundo afirma BOTELHO (2009, p.78 apud GROTTA, 2001, p. 130):
A
queixa ou o reconhecimento dos professores quando às dificuldades que encontram
para promover a leitura em sala de aula e ainda mais grave se lembrarmos que a
escola tem o compromisso de formar cidadãos conscientes, que a dominem a
utilizem a leitura e a escrita como instrumento cultural e político.
O dever da escola é de
engravidar de sonhos de liberdade e de uma verdadeira democracia os seus
alunos, gerando seres altamente críticos e conscientes dos seus deveres e
direitos.
É impossível o Brasil ser
uma superpotência com a educação que ter hoje. É preciso fazer uma revolução na
educação iniciando pela educação de base (educação infantil e ensino
fundamental). O professor nunca antes foi tão desmoralizado e ridicularizado ao
receber o seu contracheque e ver a mixaria de salário. Se na 7° potência
econômica do mundo que é o Brasil está desse jeito, imagine os outros Estados
membros do Mercosul que teoricamente estão ranqueados abaixo do Brasil?
CONCLUSÃO
Os problemas da educação
no Brasil e no Mercosul estão muito além do que imaginamos, não está no
processo de ensino e aprendizagem, e nem na falta de professores preparados,
muito menos nos vergonhosos salários pagos aos educadores, não seria as instituições
com péssimas estruturas, é uma questão puramente política que amarra os
processos educacionais
A educação no passar dos
anos tem sofrido varias mudanças prejudiciais ao alunado. Vários pedagogos
pseudo-intelectual criam teorias mirabolantes para tentar salvar a educação dos
caminhos que estão sendo traçados para ela, mas os esforços por parte do Estado
são medíocres, conservadores e imediatistas.
As soluções são obvias,
mas as medidas não são tomas pelas autoridades por não se remeterem em votos. O
Estado deveria atuar com políticas públicas desde quando a criança está sendo gerado na barriga da sua mãe,
acompanhamento na alimentação e saúde da criança (fornecendo suprimentos e
vitaminas), oportunizando a criança a entrar em creches a partir dos dois anos
de idade (com a observância de profissionais: nutricionistas, fonoaudiólogos,
odontologistas, pediatras, pedagogos, psicólogos e psicopedagogos).
Na educação infantil é
preciso que pedagogos sejam melhor capacitados, instituições com boas
estruturas físicas, materiais pedagógicos adequados, alimentação supervisionada
por nutricionistas, biblioteca e brinquedoteca surtidas e acessíveis aos
alunos, acompanhamento da família quinzenalmente (quando for preciso pelo
conselho tutelar).
É preciso criar escolas
integrais que concilie aprendizagem com lúdico (Educação Infantil e Ensino
fundamental), aumento o número de vagas escolares, apoio psicológico a família
de alunos especiais, capacitação de professores (titulares e auxiliares) para
lecionar turmas com alunos especiais, a inclusão dever ser repensada mais
detalhadamente, é preciso ter laboratórios de informática e de ciências, etc.
Para que a educação no
Brasil alcance altos índices de qualidade é preciso que tenha políticas
públicas sérias voltadas para a educação e principalmente voltadas para a
construção de um país mais juntos e critico.
REFERENCIAIS
ARANHA, Maria Lúcia de
Arruda. História da Educação. São
Paulo: Moderna, 1996.
BRASIL. Constituição da República dos
Estados Unidos do Brasil. Rio de
Janeiro: Assembléia Nacional Constituinte, 1934.
______. Constituição da República Federativa do Brasil-1988. Brasília:
Senado Federal, 1988.
______. Parecer CNE/CES N°.: 118/2008. Brasília: Conselho Nacional de
Educação/Câmera de Ensino Superior, 2008.
DURKHEIM, E. A educação
como processo socializador: função homogeneizadora e função diferenciadora.
In: PEREIRA, L.; FORACCHI, M. M. Educação
e sociedade. 8. ed. São Paulo: Nacional, 1977.
LAKATOS, Eva
Maria; Marconi, Marina de Andrade. Metodologia
do Trabalho Científico: Procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto
e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas,
2006
CATTANI, Antonio
David; KIELING, Francisco dos Santos. A escolarização das classes abastadas. Sociologias, Porto Alegre, ano 9, nº
18, jun./dez. 2007, p. 170-187.
SAES, Décio
Azevedo Marques de. Classe média e escola capitalista. Crítica Marxista. São Paulo,
N° 21, 2007, p. 97 – 112.
mestrando em educação pela Universidade
Privada Del Guaira – UPG, Paraguay.