"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes". (Paulo Freire)
Resumo: Esse artigo surgiu após estudos e levantamentos sobre a temática a importância do lúdico na aprendizagem e socialização da criança, foi observado que o tema é bem atual e é causador de divergências entre educadores. A pesquisa para a elaboração do artigo foi realizada pelo método indutivo, pesquisa bibliográfica, e analise dos dados. A hipótese levantada foi que os educadores não estão conseguindo se libertar da educação tradicionalista, não há uma ruptura com a educação bancaria para que haja uma nova forma de educação. O preconceito e a falta de atualização/capacitação de muitos educadores têm freado muitas teorias novas.
Palavras-chaves: educação, lúdico, resistência.
INTRODUÇÃO
A educação no Brasil tem passado por varias mudanças nas três últimas décadas principalmente, o Brasil saiu de uma ditadura militar ferrenha que durou aproximadamente vinte anos, nesse período o que imperava era o tradicionalismo e o tecnicismo.
A ditadura terminou muitos o número de intelectuais da educação e quando eles voltaram do exílio trazendo na bagagem novas idéias e novas experiências que deram certo em outros países. Assim como houve mudança política, na educação também houve reformas que deu origem a educação atual. Conforme JUNIOR (2001, p. 11):
Conhecer métodos, técnicas e procedimentos presentes na Pedagogia Tradicional faz com que educadores(as) revejam suas atitudes e sobretudo sua práxis (ação-reflexão-ação), ocasionando uma melhora significativa na configuração do ensino, fazendo com que este torne-se contextual e percebido pelos alunos como uma ação necessária e indissolúvel as suas vidas enquanto seres sociais.
Novas teorias têm surgido para dinamizar e ajudar a melhorar a aprendizagem dos alunos, os métodos tradicionais tiveram que ser revistos e muitos foram abolidos da pedagogia atual, mas muito professores ainda não refletiram melhor sobre seus métodos de ensino optando para ficar no tradicionalismo.
Os novos pedagogos saem da academia como muitos sonhos querendo colocar em prática teorias aprendidas no curso, mas são freados pelo comodismo e pela falta de políticas públicas voltadas a educação. O professor acaba tendo que trabalhar no improviso por não ter na escola uma biblioteca e muito menos possui uma brinquedoteca.
O professor assume a sala de aula sem apoio e dentro da sala ele encontra-se sozinho e a tendência deixar de lado tudo aquilo que aprendeu na academia e tomar medidas autoritárias e tradicionais. Segundo Lima (2010):
Quando em sala de aula, o professor é dotado de liberdade tal que o tem levado, na maioria das vezes, a adotar uma postura ditatorial perante os alunos. Essa postura instrucionista tem encontrado amparo no fato de que o professor, na sala de aula, tem autonomia para determinar ações, selecionar o conteúdo e a metodologia de ensino, controlar o tempo, enfim, impor aos alunos aquilo que ele acha que é o correto e da maneira que ele quer. Tal postura tem acarretado bastantes desvios no processo de aprendizagem, tirando dos alunos a motivação para participar das aulas, e, sobretudo, impossibilitando-lhes a formação da competência humana, traduzida no saber pensar, no aprender a aprender e na construção e reconstrução do conhecimento. Considerando que o processo de aprendizagem deve ter como parceiros a incerteza e a dúvida, - logo, o professor não é o dono da verdade -, e que os alunos, ao lidarem com o conhecimento, devem assumir uma atitude inquieta, curiosa e questionadora.
O papel do professor é de importantíssimo dentro e fora de aula ele é um modelo, agindo com autoritarismo dentro de sala ele impõe respeito, mas não o conquista. Muitos professores temem trabalhar com o lúdico por medo de perder a autoridade na sala, mas limitando limites e educação com seriedade será bem sucedido.
A escola representa a saída do micro cosmo que a família, mas a escola é repressora ao extremo de causar desinteresse das crianças em ir para a escola, vários fatores contribuem para esse fenômeno que gera até evasão escolar um deles é o autoritarismo do professor. De acordo com BITTENCOURT & FERREIRA (2002, p. 12):
Na escola, a criança permanece durante muitas horas em carteiras escolares nada adequadas, em salas pouco confortáveis, observando horários e impossibilitada de mover-se livremente. Pela necessidade de submeter-se à disciplina escolar, muitas vezes a criança apresenta uma certa resistência em ir à escola. O fato não está apenas no total desagrado pelo ambiente ou pela nova forma de vida e, sim, por não encontrar canalização para as suas atividades preferidas.
Muitos professores superaram a falta de apoio do Estado, perceberam que quando era feita atividade que saia da rotina da sala de aula havia aprendizagem por parte dos alunos, ou seja, a criança aprende brincando. A criança imita a vida real com as suas brincadeiras. Quando brincam de boneca ou de carrinho há uma aprendizagem em relação à vida em sociedade só é preciso que já um mediador para nortear as brincadeiras.
Vygotski (1988) indica a relevância de brinquedos e brincadeiras como indispensáveis para a criação da situação imaginária. Revela que o imaginário só se desenvolve quando se dispõe de experiências que se reorganizam. A riqueza dos contos, lendas e o acervo de brincadeiras constituirão o banco de dados de imagens culturais utilizados nas situações interativas. Dispor de tais imagens é fundamental para instrumentalizar a criança para a construção do conhecimento e sua socialização. Ao brincar a criança movimenta-se em busca de parceria e na exploração de objetos; comunica-se com seus pares; se expressa através de múltiplas linguagens; descobre regras e toma decisões.
Nas escolas ainda vêm o recreio como hora da baderna, mas poderia ser visto como uma hora socialização das crianças, seria interessante se o professor deixasse à hora o cafezinho na sala do professor de lado às vezes para interagi com os seus alunos no recreio. É muito importante o lúdico na aprendizagem do aluno. Segundo SOUZA (2010):
Para que o brinquedo seja significativo para a criança é preciso que tenha pontos de contato com a sua realidade. Através da observação do desempenho das crianças com seus brinquedos podemos avaliar o nível de seu desenvolvimento motor e cognitivo. No lúdico, manifestam-se suas potencialidades e ao observá-las poderemos enriquecer sua aprendizagem, fornecendo através dos brinquedos os nutrientes ao seu desenvolvimento.
Na concepção de SAVIANI (1988) a Pedagogia Tradicional é classificada como intelectualista, e às vezes como enciclopédica, pois os conteúdos são separados da experiência do aluno e das realidades sociais, o que vale é uma educação formalíssima e acrítica.
A nova pedagogia que tem surgido no meio acadêmico não pode ser freada, pois visa aprendizagem e o bem estar dos alunos sem dualidade, sem distinção. As melhores escolas particulares utilizam essa nova pedagogia que valoriza o lúdico e têm dado bons resultados. Na escola pública há muita resistência por partes dos educadores, mas é hora de mudança para acabar com esse distanciamento de qualidade entre a escola pública e privada.
CONCLUSÃO
Trabalhar o lúdico dentro da sala de aula é de suma relevância para alcançar um bom índice de aprendizagem e é uma forma de motivar a permanência do aluno na escola.
Como já vou visto anteriormente que é através a brincadeira que as crianças se interagem e se sociabilizam como o meio, é na hora o recreio que é a maior expressão de sociabilidade onde se brinca, e há interação e troca de informações, é possível haver aprendizagem no recreio com a presença de um mediador.
O lúdico pode ser trabalhado de varias forma dentro a sala de aula, mas para isso o professor precisa de um bom jogo de cintura e criatividade para superar a falta de brinquedos e jogos pedagógicos. Até quando o professor vai precisar partir para confecção de matérias através da reciclagem? Isso não sabe. Talvez essa realidade seja mudada quando a educação for tratada com respeito e dignidade por parte das autoridades responsável.
REFERÊNCIAS
BITTENCOURT, Glaucimar Rodrigues; FERREIRA, Mariana Denise Moura. A importância do lúdico na alfabetização. Belém, 2002.
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
JUNIOR, Eimar França de Barros. Pedagogia Tradicional e as Desigualdades de Classe. Belém, 2001.
* Artigo apresentado como atividade de estudo extraclasse na disciplina de Sociologia. Oferecido pela Universidade Federal de Rondônia - UNIR, ministrado: prof°. Dra Márcia e aprecia prevista para Nov/2010.
** Acadêmico do 2° período de Ciências Sociais da Universidade Federal de Rondônia – UNIR