**Alcimar Andrade
**Leonilson Bitencourt Botelho
**Leonilson Bitencourt Botelho
RESUMO
Este artigo tem como objetivo mostrar a importância de um movimento intelectual dos séculos XVII e XVIII. Tenham o homem razão com o centro do universo, um ser quer capaz de traçar seu próprio destino. O iluminismo surgiu para tirar o continente europeu do atraso científico e da opressão importa pela Igreja Católica Apostólica Romana que governava tudo junto com reis absolutista.
INTRODUÇÃO
A Europa possuía vários governos absolutistas que eram abençoados pela Igreja. O iluminismo combatia absolutismo, pois eles defendiam que as leis deveriam ser elaboradas pela sociedade e não impostas por um rei e pela Igreja. O combate ao mercantilismo que não permitia o desenvolvimento comercial, pois a intervenção do Estado não possibilitava o pleno desenvolvimento da economia.
Ao poder da Igreja, pois suas verdades eram baseadas na fé e os iluministas buscavam a verdade baseada na razão, com princípios científicos. Baseados no antropocentrismo (o homem e não Deus como centro), em oposição à ideologia em vigor no período medieval, que era voltada para o teocentrismo (Deus como centro do universo). Os iluministas buscaram esclarecer todas as questões relativas ao homem utilizando a razão, acreditavam que todos eram iguais e tinham direito à liberdade de expressão e de praticar sua religião, fosse ela qual fosse.
O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.
Os iluministas defendiam a igualdade jurídica, o direito à propriedade privada, à liberdade de comércio. Apoiavam-se fortemente nas descobertas e revolução das ciências naturais. A razão para os iluministas era a verdadeira maneira de se chegar ao conhecimento, era a luz da humanidade, daí o nome Iluminismo.
DESENVOLVIMENTO
A Europa vivia sobre o domínio da Igreja Católica Apostólica Romana. Era um período que a ignorância reinava sobre a maioria população européia, não havia interesse por parte de Igreja em difundir o conhecimento. De acordo com Alexandre Garcia (2010):
“Sem educação não há futuro, fora da educação não tem salvação... A educação converte pessoas em cidadãos. Investimento maior em educação é gasto menos em saúde e segurança, e educação sem qualidade é só um arremedo improdutivo, um improviso, um engodo”.
O saber é algo perigoso que assusta e amedronta que está no poder, a Igreja controlava o saber das escrituras e das obras filosóficas. O que restava ao povo era aceitar a dominação imposta pelas crenças religiosas e pelo misticismo.
No século XVII, iniciou uma corrente filosófica chamada de Iluminismo, um grupo de pensadores que lutaram contra a dominação da Igreja, eles acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.
A igreja centralizou o poder nela e governava por intermédio do medo e da opressão, obteve uma imensa fortuna com os saques realizados contra as cidades Árabes nas cruzadas e com as cobranças de indulgências. Foi estabelecida a desigualdade, pois as maiorias das terras européias eram da Igreja e a população em suma maioria vivia na miséria por não ter terra e ainda terem que pagar altíssimos tributos a igreja. Segundo ROUSSEAU, “o verdadeiro fundador da sociedade foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo” (1980, p.270).
Rousseau inicia as pesquisas sobre desigualdade social, e serviu de base teórica os outros grandes pensadores sociólogos, no livro “O Contrato Social” o autor fala de como surgiu à sociedade que temos hoje e a relação entre a propriedade e a desigualdade.
Montesquieu era um jurista assim como a maioria dos pensadores iluministas, ele escreveu o livro “O Espírito das Leis”, essa obra ele faz um estudo comparativo da origem das leis humanas. De acordo com MONTESQUIEU (2005, p. 224):
Não se deve regulamentar com leis divinas o que deve sê-lo com leis humanas, nem regulamentar com leis humanas o que deve sê-lo com as leis divinas. Estas duas sortes de leis diferem por sua origem, por seu objeto e por sua natureza. Todos concordam que as leis humanas são de natureza diferente das leis da religião, e isto é um grande princípio: mas este mesmo princípio está submetido a outros que é preciso procurar.
1° A natureza das leis humanas é estarem submetidas a todos os acidentes que acontecem e variarem na medida em que as vontades dos homens mudam; pelo contrário, a natureza das leis da religião consiste em nunca variarem. As leis humanas legislam sobre o bem; a religião sobre o melhor. O bem pode ter outro objeto, porque existem vários bens; mas o melhor é apenas um; não pode, então, mudar. Podemos mudar as leis, porque consideramos que são apenas boas, mas as instituições da religião são sempre consideradas as melhores.2° Existem Estados onde as leis não são nada, ou são apenas uma vontade caprichosa e transitória do soberano. Se, nestes Estados, as leis da religião tivessem a mesma natureza que as leis humanas, as leis da religião também não seriam nada; no entanto, é necessário para a sociedade que exista algo de fixo e é a religião este algo de fixo.3° A força principal da religião vem de que se acredita nela; a força das leis humanas vem de que são temidas. A antigüidade é conveniente à religião porque freqüentemente acreditamos mais nas coisas na medida em que estão mais distantes, pois não temos em mente idéias acessórias tiradas daqueles tempos que possam contradizê-las. Inversamente, as leis humanas tiram sua vantagem da novidade, que anuncia uma atenção particular e atual do legislador no sentido de que sejam observadas.
1° A natureza das leis humanas é estarem submetidas a todos os acidentes que acontecem e variarem na medida em que as vontades dos homens mudam; pelo contrário, a natureza das leis da religião consiste em nunca variarem. As leis humanas legislam sobre o bem; a religião sobre o melhor. O bem pode ter outro objeto, porque existem vários bens; mas o melhor é apenas um; não pode, então, mudar. Podemos mudar as leis, porque consideramos que são apenas boas, mas as instituições da religião são sempre consideradas as melhores.2° Existem Estados onde as leis não são nada, ou são apenas uma vontade caprichosa e transitória do soberano. Se, nestes Estados, as leis da religião tivessem a mesma natureza que as leis humanas, as leis da religião também não seriam nada; no entanto, é necessário para a sociedade que exista algo de fixo e é a religião este algo de fixo.3° A força principal da religião vem de que se acredita nela; a força das leis humanas vem de que são temidas. A antigüidade é conveniente à religião porque freqüentemente acreditamos mais nas coisas na medida em que estão mais distantes, pois não temos em mente idéias acessórias tiradas daqueles tempos que possam contradizê-las. Inversamente, as leis humanas tiram sua vantagem da novidade, que anuncia uma atenção particular e atual do legislador no sentido de que sejam observadas.
Montesquieu faz uma separação do que é lei humana do que é lei divina, na sua época as leis se misturavam e as leis divinas serviam o propósito de dominação. Quando é feita essa separação Montesquieu propôs a divisão do poder em três esferas: Legislativo (que elabora as leis), Executivo (que executa as leis e exerce poder administrativo) e o Judiciário (responsável pela observância das leis). Este modelo inspirou as modernas democracias ocidentais.
Na Inglaterra, John Locke escreveu o livro “O Ensaio acerca do entendimento humano”, foi muito bem sucedido no que se refere à atribuição de um novo objeto a filosofia. Locke faz uma analise do que é nado e do que é inato, valoriza a razão e a liberdade. Conforme LOCKE (1999, p. 39):
Se a razão os descobre, não é uma prova de que são inatos. Se querem dizer que mediante o uso da razão os homens podem descobrir estes princípios, sendo isto suficiente para prová-los inatos, esta maneira de argüir implicará o seguinte: sejam quais forem as verdades reveladas pela razão, e com as quais somos levados por ela a concordar com firmeza, todas estas verdades encontram-se naturalmente impressas na mente, uma vez que o assentimento universal (suposta sua marca característica) não equivale a mais do que isto: pelo uso da razão somos capazes de alcançar certo conhecimento e concordar com ele. Por este meio, não haverá diferença entre as máximas dos matemáticos e os teoremas deduzidos delas, devendo tudo ser igualmente suposto inato, sendo todas as descobertas realizadas pelo uso da razão, e as verdades que uma criatura racional deve, certamente, conhecer, se aplicar seus pensamentos desta maneira correta.
John Locke acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo por intermédio do empirismo. Na Inglaterra, Locke tinha total liberdade de expressão necessária ao desenvolvimento de suas idéias. A influência católica havia sido definitivamente afastada do poder político em 1688, com a Revolução Gloriosa. A partir de então, nenhum católico voltaria a subir ao trono, embora a Igreja da Inglaterra tenha permanecido bastante próxima do Catolicismo em termos doutrinários e de organização interna. Sem o controle que a Igreja Católica exercia em outras sociedades da Europa. Dos pensamentos de Locke surgi o liberalismo.
Na Alemanha surgiu importante filósofo chamado Immanuel Kant, desenvolveu seus pensamentos nas áreas da epistemologia, ética e Metafísica. Conforme Kant (1988, p. 833) “todo interesse de minha razão (tanto o especulativo quanto o prático) concentra-se nas três seguintes perguntas: 1. Que posso saber? 2. Que devo fazer? 3. Que me é dado esperar?”
No espaço cultural alemão, um dos traços distintivos do Iluminismo (Aufklärung) é a inexistência do sentimento anticlerical que, por exemplo, deu a tônica ao Iluminismo francês. Os iluministas alemães possuíam, quase todos, profundo interesse e sensibilidade religiosas, e almejavam uma reformulação das formas de religiosidade.
Na Itália, Maquiavel busta unificar o país assim como tinha cido feito da Ingraterra e França, queria formar uma Estado forte e independente da Igreja Católica. Foi um pensador que faz uma analise de como se dar uma relação de poder. Conforme o Maquiavel no capítulo XV, no final do segundo parágrafo assim um Príncipe pode se manter no poder (liderança):
Em verdade, há tanta diferença de como se vive e como se deveria viver, que aquele que abandone o que se faz por aquilo que se deveria fazer, aprenderá antes o caminho de sua ruína do que o de sua preservação, eis que um homem que queira em todas as suas palavras fazer profissão de bondade, perder-se-á em meio a tantos que não são bons. Donde é necessário, a um príncipe que queira se manter, aprender a poder não ser bom e usar ou não da bondade, segundo a necessidade.
A obra de Maquiavel serve como um manual para se permanecer no poder. Foi importantíssima para a formação do Estado Italiano. O livro “O Príncipe” é um obra viva nos dias atual, servindo de leitura obrigatória para quem quer estudar relação de poder.
O continente europeu foi inundado com esse pensamento iluminista e houve grandes mudanças na política, geopolítica, na economia, na religião, etc. foi mudada a forma de pensamento do homem que se tornou um ser cientifico que tudo é respondido por meio de comprovação científica.
CONCLUSÃO
Todos os pensadores iluministas deram uma imensa contribuição para a formação dos Estados modernos democráticos, saíram de Estados totalitários com forte influência da Igreja Católica Apostólica Romana e fundaram Estados laicos e liberais. Lutam e revolucionaram a política ocidental. Saíram de uma dominação que era fundamentada na ignorância do povo e entraram um ensaio de democracia.
O homem tornasse senhor do seu próprio destino agindo pela razão, tornasse o centro do universo. A maioria dos pensadores iluministas eram juristas, prezavam a liberdade e a livre expressão do pensamento. Os Estados da Europa começam a se inspirar essa ideias.
A ciência teve maior destaque e houve um grande avanço tecnológico. A ciência tornou-se uma nova religião, é uma verdade absoluta obtida pelos métodos e regras cientificas. Muitas descobertas surgiram, mas todas movidas pelo interesse financeiro e visando a hegemonia mundial. O capitalismo iniciou a sua trajetória com a criação dos Estados liberais, a desigualdade continuou estabelecida com o capitalismo, não era mais a opressão religiosa, e sim a dominação financeira.
REFERÊNCIAS
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
GARCIA, Alexandre. A educação no Brasil. Disponível em
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*Artigo apresentado como requisito avaliativo da disciplina de Estado, Cultura e Sociedade. Oferecido pela Universidade Inter-Americana - Paraguai, ministrado: prof°. Dr: José Silvestre de França e entregue em jan/2012.
**Alunos mestrandos na área de Educação pela Universidade Inter-Americana - Paraguai.