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"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes". (Paulo Freire)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ENTRE AS TREVAS E O ILUMINISMO: SURGI OUTRA VISÃO DE MUNDO*.





**Alcimar Andrade
**Leonilson Bitencourt Botelho




RESUMO
Este artigo tem como objetivo mostrar a importância de um movimento intelectual dos séculos XVII e XVIII. Tenham o homem razão com o centro do universo, um ser quer capaz de traçar seu próprio destino. O iluminismo surgiu para tirar o continente europeu do atraso científico e da opressão importa pela Igreja Católica Apostólica Romana que governava tudo junto com reis absolutista.

INTRODUÇÃO

A Europa possuía vários governos absolutistas que eram abençoados pela Igreja. O iluminismo combatia absolutismo, pois eles defendiam que as leis deveriam ser elaboradas pela sociedade e não impostas por um rei e pela Igreja. O combate ao mercantilismo que não permitia o desenvolvimento comercial, pois a intervenção do Estado não possibilitava o pleno desenvolvimento da economia.
Ao poder da Igreja, pois suas verdades eram baseadas na fé e os iluministas buscavam a verdade baseada na razão, com princípios científicos. Baseados no antropocentrismo (o homem e não Deus como centro), em oposição à ideologia em vigor no período medieval, que era voltada para o teocentrismo (Deus como centro do universo). Os iluministas buscaram esclarecer todas as questões relativas ao homem utilizando a razão, acreditavam que todos eram iguais e tinham direito à liberdade de expressão e de praticar sua religião, fosse ela qual fosse.
O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.
Os iluministas defendiam a igualdade jurídica, o direito à propriedade privada, à liberdade de comércio. Apoiavam-se fortemente nas descobertas e revolução das ciências naturais. A razão para os iluministas era a verdadeira maneira de se chegar ao conhecimento, era a luz da humanidade, daí o nome Iluminismo.

DESENVOLVIMENTO

A Europa vivia sobre o domínio da Igreja Católica Apostólica Romana. Era um período que a ignorância reinava sobre a maioria população européia, não havia interesse por parte de Igreja em difundir o conhecimento. De acordo com Alexandre Garcia (2010):

“Sem educação não há futuro, fora da educação não tem salvação... A educação converte pessoas em cidadãos. Investimento maior em educação é gasto menos em saúde e segurança, e educação sem qualidade é só um arremedo improdutivo, um improviso, um engodo”.

O saber é algo perigoso que assusta e amedronta que está no poder, a Igreja controlava o saber das escrituras e das obras filosóficas. O que restava ao povo era aceitar a dominação imposta pelas crenças religiosas e pelo misticismo.
No século XVII, iniciou uma corrente filosófica chamada de Iluminismo, um grupo de pensadores que lutaram contra a dominação da Igreja, eles acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.
A igreja centralizou o poder nela e governava por intermédio do medo e da opressão, obteve uma imensa fortuna com os saques realizados contra as cidades Árabes nas cruzadas e com as cobranças de indulgências. Foi estabelecida a desigualdade, pois as maiorias das terras européias eram da Igreja e a população em suma maioria vivia na miséria por não ter terra e ainda terem que pagar altíssimos tributos a igreja. Segundo ROUSSEAU, “o verdadeiro fundador da sociedade foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo” (1980, p.270).
Rousseau inicia as pesquisas sobre desigualdade social, e serviu de base teórica os outros grandes pensadores sociólogos, no livro “O Contrato Social” o autor fala de como surgiu à sociedade que temos hoje e a relação entre a propriedade e a desigualdade.
Montesquieu era um jurista assim como a maioria dos pensadores iluministas, ele escreveu o livro “O Espírito das Leis”, essa obra ele faz um estudo comparativo da origem das leis humanas. De acordo com MONTESQUIEU (2005, p. 224):

Não se deve regulamentar com leis divinas o que deve sê-lo com leis humanas, nem regulamentar com leis humanas o que deve sê-lo com as leis divinas. Estas duas sortes de leis diferem por sua origem, por seu objeto e por sua natureza. Todos concordam que as leis humanas são de natureza diferente das leis da religião, e isto é um grande princípio: mas este mesmo princípio está submetido a outros que é preciso procurar.
1° A natureza das leis humanas é estarem submetidas a todos os acidentes que acontecem e variarem na medida em que as vontades dos homens mudam; pelo contrário, a natureza das leis da religião consiste em nunca variarem. As leis humanas legislam sobre o bem; a religião sobre o melhor. O bem pode ter outro objeto, porque existem vários bens; mas o melhor é apenas um; não pode, então, mudar. Podemos mudar as leis, porque consideramos que são apenas boas, mas as instituições da religião são sempre consideradas as melhores.2° Existem Estados onde as leis não são nada, ou são apenas uma vontade caprichosa e transitória do soberano. Se, nestes Estados, as leis da religião tivessem a mesma natureza que as leis humanas, as leis da religião também não seriam nada; no entanto, é necessário para a sociedade que exista algo de fixo e é a religião este algo de fixo.3° A força principal da religião vem de que se acredita nela; a força das leis humanas vem de que são temidas. A antigüidade é conveniente à religião porque freqüentemente acreditamos mais nas coisas na medida em que estão mais distantes, pois não temos em mente idéias acessórias tiradas daqueles tempos que possam contradizê-las. Inversamente, as leis humanas tiram sua vantagem da novidade, que anuncia uma atenção particular e atual do legislador no sentido de que sejam observadas.

Montesquieu faz uma separação do que é lei humana do que é lei divina, na sua época as leis se misturavam e as leis divinas serviam o propósito de dominação. Quando é feita essa separação Montesquieu propôs a divisão do poder em três esferas: Legislativo (que elabora as leis), Executivo (que executa as leis e exerce poder administrativo) e o Judiciário (responsável pela observância das leis). Este modelo inspirou as modernas democracias ocidentais.
Na Inglaterra, John Locke escreveu o livro “O Ensaio acerca do entendimento humano”, foi muito bem sucedido no que se refere à atribuição de um novo objeto a filosofia. Locke faz uma analise do que é nado e do que é inato, valoriza a razão e a liberdade. Conforme LOCKE (1999, p. 39):

Se a razão os descobre, não é uma prova de que são inatos. Se querem dizer que mediante o uso da razão os homens podem descobrir estes princípios, sendo isto suficiente para prová-los inatos, esta maneira de argüir implicará o seguinte: sejam quais forem as verdades reveladas pela razão, e com as quais somos levados por ela a concordar com firmeza, todas estas verdades encontram-se naturalmente impressas na mente, uma vez que o assentimento universal (suposta sua marca característica) não equivale a mais do que isto: pelo uso da razão somos capazes de alcançar certo conhecimento e concordar com ele. Por este meio, não haverá diferença entre as máximas dos matemáticos e os teoremas deduzidos delas, devendo tudo ser igualmente suposto inato, sendo todas as descobertas realizadas pelo uso da razão, e as verdades que uma criatura racional deve, certamente, conhecer, se aplicar seus pensamentos desta maneira correta.

John Locke acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo por intermédio do empirismo. Na Inglaterra, Locke tinha total liberdade de expressão necessária ao desenvolvimento de suas idéias. A influência católica havia sido definitivamente afastada do poder político em 1688, com a Revolução Gloriosa. A partir de então, nenhum católico voltaria a subir ao trono, embora a Igreja da Inglaterra tenha permanecido bastante próxima do Catolicismo em termos doutrinários e de organização interna. Sem o controle que a Igreja Católica exercia em outras sociedades da Europa. Dos pensamentos de Locke surgi o liberalismo.
Na Alemanha surgiu importante filósofo chamado Immanuel Kant, desenvolveu seus pensamentos nas áreas da epistemologia, ética e Metafísica. Conforme Kant (1988, p. 833) “todo interesse de minha razão (tanto o especulativo quanto o prático) concentra-se nas três seguintes perguntas: 1. Que posso saber? 2. Que devo fazer? 3. Que me é dado esperar?”
No espaço cultural alemão, um dos traços distintivos do Iluminismo (Aufklärung) é a inexistência do sentimento anticlerical que, por exemplo, deu a tônica ao Iluminismo francês. Os iluministas alemães possuíam, quase todos, profundo interesse e sensibilidade religiosas, e almejavam uma reformulação das formas de religiosidade.
Na Itália, Maquiavel busta unificar o país assim como tinha cido feito da Ingraterra e França, queria formar uma Estado forte e independente da Igreja Católica. Foi um pensador que faz uma analise de como se dar uma relação de poder. Conforme o Maquiavel no capítulo XV, no final do segundo parágrafo assim um Príncipe pode se manter no poder (liderança):

Em verdade, há tanta diferença de como se vive e como se deveria viver, que aquele que abandone o que se faz por aquilo que se deveria fazer, aprenderá antes o caminho de sua ruína do que o de sua preservação, eis que um homem que queira em todas as suas palavras fazer profissão de bondade, perder-se-á em meio a tantos que não são bons. Donde é necessário, a um príncipe que queira se manter, aprender a poder não ser bom e usar ou não da bondade, segundo a necessidade
.

A obra de Maquiavel serve como um manual para se permanecer no poder. Foi importantíssima para a formação do Estado Italiano. O livro “O Príncipe” é um obra viva nos dias atual, servindo de leitura obrigatória para quem quer estudar relação de poder.
O continente europeu foi inundado com esse pensamento iluminista e houve grandes mudanças na política, geopolítica, na economia, na religião, etc. foi mudada a forma de pensamento do homem que se tornou um ser cientifico que tudo é respondido por meio de comprovação científica.


CONCLUSÃO

Todos os pensadores iluministas deram uma imensa contribuição para a formação dos Estados modernos democráticos, saíram de Estados totalitários com forte influência da Igreja Católica Apostólica Romana e fundaram Estados laicos e liberais. Lutam e revolucionaram a política ocidental. Saíram de uma dominação que era fundamentada na ignorância do povo e entraram um ensaio de democracia.
O homem tornasse senhor do seu próprio destino agindo pela razão, tornasse o centro do universo. A maioria dos pensadores iluministas eram juristas, prezavam a liberdade e a livre expressão do pensamento. Os Estados da Europa começam a se inspirar essa ideias.
A ciência teve maior destaque e houve um grande avanço tecnológico. A ciência tornou-se uma nova religião, é uma verdade absoluta obtida pelos métodos e regras cientificas. Muitas descobertas surgiram, mas todas movidas pelo interesse financeiro e visando a hegemonia mundial. O capitalismo iniciou a sua trajetória com a criação dos Estados liberais, a desigualdade continuou estabelecida com o capitalismo, não era mais a opressão religiosa, e sim a dominação financeira.

REFERÊNCIAS

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5ª ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

GARCIA, Alexandre. A educação no Brasil. Disponível em . Acessado em dez.2010.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Os pensadores. Vol. I. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Os pensadores. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

LUCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. Ed. Nova Cultural Ltda, São Paulo, 1999.

MAQUIAVEL, NICOLOU. O Príncipe. Disponível em < http://www.culturabrasil.pro. br/oprincipe.htm>. Acesso em 08 de mai. 2010.

MONTESQUIEU, Charles Luis de Secondat. O Espírito das Leis. Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2005.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social. Ed. Formar, São Paulo, 1980.

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*Artigo apresentado como requisito avaliativo da disciplina de Estado, Cultura e Sociedade. Oferecido pela Universidade Inter-Americana - Paraguai, ministrado: prof°. Dr: José Silvestre de França e entregue em jan/2012.

**Alunos mestrandos na área de Educação pela Universidade Inter-Americana - Paraguai.