Sejam bem vindos

"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes". (Paulo Freire)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu e o meu "Mar"


Quão bons são os teus beijos

Os teus afagos me tiram do chão

Remetem-me a outra realidade

È quando o tempo parar pra nós dois


A tempestade pode até ser forte...

Mas não é superior ao que eu sinto

E não pode se comparar a beleza do meu “Mar”

Sei que logo a chuva vai cessar


Sei o que sinto e não tenho medo

Sempre avante rasgando o gelo da minha saudade

Aquecendo o meu coração junto ao teu peito

Tu és o meu porto seguro, minha paz


A tua presença na minha vida é norteadora

Tu és o meu jardim fechado...

É a melodia que faz a minha alma dançar

Em ti encontro forças para ser feliz


O deserto do meu passado foi inundado pelo teu amor

Varrido por um sentimento maior que eu

Não há mais um eu, é sim um solido nós

Que venha o vento, ou a tempestade do norte...


Eu renasci para o meu “Mar”

Aqui estou nos abraços do meu amor

E para o deserto não vou voltar

Pois, a minha felicidade está em te amar.


Carinhosamente Léo Bittencourt.

15 de mai. 2010.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ANTROPOLOGIA CULTURAL *



Leonilson Bitencourt Botelho**






RESUMO

Esse artigo teve como objetivo apresentar como trabalho de conclusão da disciplina de Antropologia I, foi desenvolvido a pesquisa bibliográfica sobre a antropologia cultural. Esse trabalho contou com uma breve introdução sobre linhas gerais do evolucionismo, os representantes do evolucionismo cultural, as principais características, neo-evolucionismo e finalizando evolucionismo visto por outro ângulo.

PALAVRAS-CHAVE: Evolucionismo. Antropologia. Crítica.


1 INTRODUÇÃO


Europa no século XIX, efervescia a idéia de uma espécie de evolução cultural das “raças humanas”. Essa idéia foi amadurecida com a publicação de uma teoria que supostamente era de Darwin, “a seleção natural das espécies, na sobrevivência dos mais fortes e na origem do homem”. Conforme o YAHYA (2007, p. 11):

Algumas pessoas que têm ouvido sobre a “Teoria da Evolução” ou “Darwinismo”, podem pensar que esses conceitos têm a ver somente com o campo da Biologia, e que não têm qualquer significado em sua vida diária. Este é um grande engano, pois a Teoria da Evolução, muito mais que um conceito biológico, constitui a viga mestra de uma filosofia desonesta que mantém seu domínio sobre um grande número de pessoas.

Essa era uma resposta que os antigos pensadores sempre procuravam, mas não chegaram a alcançar sobre a origem da vida. Até então dominava a teoria criacionista do livro Bíblico de Gênesis. Conforme MELLO (2003, p.200), diz que “o homem teria sido criado com uma inteligência fulgurante e com muitas outras prerrogativas e teria encontrado em seu caminho a decadência pelo pecado original”.
Havia varias teorias anteriormente a teoria de Darwin que eram oriundas do místico, segundo MELLO (2003, p. 201, apud, LAKATOS, p.260):

...sustenta que a história da humanidade passa por ciclos: as culturas atravessam uma série de estágios sucessivos, voltando ao ponto original e recomeçando o ciclo (escritos indianos; doutrina budista; doutrina dos estóicos gregos e filósofos romanos, especialmente Marco Aurélio.

A ciência tinha necessidade de dar uma resposta que fugisse do misticismo religioso, ou seja, voltada para a razão científica. Para os que acreditavam no evolucionismo era criada uma expectativa que o homem estava acumulando conhecimento e que ele estaria se preparando para construir um futuro glorioso.
Desde o século XVII, muitas mudanças aconteciam na Europa como A revolução industrial, o desenvolvimento da ciência, a crescente urbanização e entre outros fatores. O progresso do Oeste Europeu era inquestionável, destacava-se globalmente, considerava-se “evoluída” em relação ao resto do mundo, mas a desigualdade social era enorme e as transformações não sanavam os problemas sociais, porém a esperança não morria na mente dos intelectuais liberais e racionalistas. De acordo com a coletânea ENSINO DINÂMICO DE PESQUISA (1998, p. 216):

Com o surgimento das maquinas muitos acreditavam que a miséria no mundo acabaria. Para alguns teóricos, a máquina facilitaria o trabalho dos homens e, segundo o liberalismo econômico, a produção seria maior, os preços dos produtos cairiam e todos teriam acesso a eles. Mas, os fatos não se passaram desta maneira.

Em 1859 foi publicado o livro “A origem das Espécies”, por Charles Darwin. É exposto as idéias a respeito da evolução de todos as espécies. Mas surgi o nome de Monet de Lamarck. Segundo MELLO (2003, p.203) “Monet de Lamarck, biólogo eminente, tipo como o fundador da teoria da evolução e anterior a Darwin. Uma das idéias mais conhecidas de Lamarck é que se refere á afirmação de que a função cria o órgão”.
O evolucionismo cultural antropológico não deriva das idéias de Darwin ou de Lamarck. De acordo com MELLO (2OO3, p. 203), “Naturalmente, é fácil admitir-se esta independência. Contudo é forçoso reconhecer a vizinhança e o parentesco das idéias tanto do evolucionismo biológico e do antropológico”.

2 Desenvolvimento

A antropologia “nasce no berço do evolucionismo esperançoso de uma humanidade melhor”. Não se preocuparam é provar a veracidade da evolução ou do progresso, já era uma certeza na mente da maioria de liberais e racionalistas que acreditavam no progresso que significava mudanças matérias, políticas, sociais e filosóficas, esse tipo de visão era com base na realidade da Inglaterra. É afirmado pelo SITE WIKIPÉDIA (2010):

Evolucionismo é uma teoria onde as sociedades são julgadas pelo seu nível de progresso, de desenvolvimento. Fazendo assim com que a sociedade mais “evoluída” se torne a sociedade do “eu” e a outra, exatamente como eu estou dizendo, a do “outro”. E, portanto, a mais importante, a de mais valor para ser estudada é a mais avançada. O problema é: quais fatores são avaliados para que vejamos quais das sociedades é mais evoluída?

Buscavam na investigação do passado e do que acontecia na atualidade com na prioridade de estabelecer as linhas gerais desse processo material, ou seja, visavam através da analise do passado poderia ter subsídios para determinar como a história da humanidade de comportaria.
Conforme MELLO (2003) é considerado Edward B. Tylor o pai da etnologia pelo fator ter sido o primeiro a buscar a sistematização do estudo da cultura. Mas a idéia de evolução Não é de Tylor.
Teve varias autores que já tinham anteriormente essa idéia de evolução cultural: Mitchell publicou o Dicionário de Sociologia contendo o verbete “evolução cultural”; Saint-Simon afirmara em várias obras que a humanidade passa por uma seqüência evolutiva; Auguste Comte falava que a sociedade passava por três estados; Herbert Spencer defendia que a que a sobrevivência dos mais aptos; Henry Maine estudava a evolução da organização social e Bachofen defendia que a família patriarcal teria sido a forma mais primitiva.
O que os autores anteriores a Tylor tinham levantado sobre evolução cultural eram apenas hipóteses, não havia nada concreto, mas a semente estava plantada para que posteriormente a idéia fosse amadurecida, e seguindo essa linha de pensamento seria coerente afirmar que a idéia de evolução cultural foi evoluída por Tylor no livro “Primitive culture”. Conforme MELLO (2003), a conceituação do termo “cultura” foi dada por Tylor que distinguiu do termo raça e ainda sistematizou as idéias evolucionistas a respeito da cultura.
Foi publicado em 1878 o livro “Ancient Society, a obra mais importante de Lewis Morgan. De acordo com MELLO (2003), Morgan foi um dos primeiros a realizar o trabalho de campo pesquisa de campo e estudou a organização social e divulgou idéias rígidas em relação à distinção do equipamento material, da organização social e da simbologia. Segundo o SITE INFOPÉDIA (2010):

Etnólogo norte-americano, nascido em 1818 e falecido em 1881, que foi o principal fundador da antropologia científica. Ficou conhecido por ter elaborado uma teoria linear da evolução social e cultural da civilização, patente na obra Ancient Society, or Researches in the Lines of Human Progress from Savagery through Barbarism to Civilization (1877).
A importância atribuída por Morgan às mudanças tecnológicas e aos fatores materiais na evolução social e cultural influenciou grandemente pensadores como Karl Marx e Friedrich Engels.


James Frazer (1854-1941) foi quem conseguiu popularizar a antropologia social, era vinculado as idéias do evolucionismo e era possuído de grande talento literário. Em 1890, foi publicado seu principal livro: Golden Bough in Comparative Religion. Esses autores foram muito importantes para nas suas épocas e exerceram grande fascínio na Europa.
No Evolucionismo Cultural: Principais características são amplitude do objeto de estudo, o fator tempo, método comparativo e os principais temas e conceitos. Será visto abaixo cada característica mais detalhadamente
Amplitude do objeto de estudo, pois objetivava estudar a cultura, esta que foi definida por Tylor, e também era necessário lançar as bases da disciplina no sentido de promover uma redução teórica que permitisse a generalização e a constituição das denominadas leis científicas. De acordo com MELLO (2003, p. 208):

Preocupou-se ele também em mostrar as regularidades existentes no processo cultural. Daí a fixação no fenômeno da evolução, ou seja, aquelas transformações regulares e presentes em todas as populações conhecidas.

O Evolucionismo deixou duvida em relação às razões e causas das transformações da cultura, presumia que o desenvolvimento cultural obedecia a uma regra, uma dinâmica natural.
O fator tempo, muitas criticas surgiram pelo fato que os evolucionistas não levaram em consideração o fator tempo, mas procuraram criar o tempo novo, considerado como tempo cultural. Para eles o que determinava o tempo era os níveis de cultura e indispensável à consideração do tempo e espaço no estudo da cultura.
O método comparativo foi realizado uma adequação do método ao objeto, ou seja, utilizou-se do método comparativo para avaliar o grau de evolução e progresso a sociedade estava inserida na visão evolucionista. As críticas eram feitas aos evolucionistas por eles tentarem interpretar uma instituição social através de uma reconstrução do seu passado.
Este método não era novo, já tinha sido utilizado por Aristóteles em seus estudos dos sistemas políticos. Segundo MELLO (2003, p. 211), “as falhas metodológicas cometidas pelos evolucionistas não repousam no fato da comparação, em si, mas a falta de rigor do seu emprego”.
Conforme REIS (2004):

Boas critica o evolucionismo social, com base na defesa da pertinência do método indutivo. Sem impugná-lo diretamente, Boas afirma que a comparação evolucionista entre povos seria possível somente dentro de territórios restritos, por meio de precisos estudos individuais. Além disso, nesse artigo Boas também critica o determinismo geográfico, baseado no argumento de que ele não dá conta de explicar a diversidade que existia entre povos que viviam em condições geográficas semelhantes.

As falhas do método comparativo não estão na teorização, mas na sua aplicação. Os evolucionistas culturais são os pioneiros da etnologia e abriram caminho para os sucessores.
Principais temas e conceitos, sem duvida foram as instituições religiosas e familiares. Morgan preocupava-se também paralelamente com as instituições jurídicas. Os evolucionistas demonstravam como a cultura obedece a uma evolução universal e unilinear. As conceituações evolucionistas antropológicas possuíam uma pitada de etnocentrismo em relação “os povos diferentes, os primitivos”. De acordo com MELLO (2003, p. 212):

O fato de encarar os denominados “povos primitivos” como população potencial idêntica aos povos civilizados, vendo-os como povos que se retardaram na evolução cultural – características por certo apego aos valores e ás instituições do passado – levou os evolucionistas fixarem sua atenção no estudo do exótico.

Vários conceitos foram criados pelos evolucionistas que até hoje é utilizado na etnologia, ou seja, o evolucionismo cultural teve muitas falhas, mas a sua importância é inquestionável para antropologia.
O evolucionismo cultural, mesmo sendo muito critica pelas suas falhas metodológicas não morrer no século XIX, no século atual ressurgiu com neo-evolucionismo, os seus principais pensadores eram os eminentes Stewart, Leslie White, Childe e inúmeros outros.
O neo-evolucionismo é conceituado de acordo com o DICIONÁRIO ARQUILÓGICO (2010) como: “uma escola de pensamento baseado na idéia de que o comportamento humano e as mudanças culturais são caracterizados por diferentes padrões e mecanismos que pode ser explicado pela mudança evolutiva”. White é citado por MELLO (2003, p.214):

O erro básico dos que atacaram o evolucionismo é que não conseguiram distinguir entre evolução da cultura e história cultural dos povos. Os evolucionistas desenvolveram formulas que vinham dizer que um traço ou complexo cultural B surgiu de um traço ou complexo cultural A e que se desenvolveu no traço ou complexo C ou caminha para ele. Noutras palavras, descrevem um processo da cultura à base de etapas de desenvolvimento.

Para os neo-evolucionistas o estudo da evolução cultural e sinônimo do estudo do processo técnico ou tecnológico. Muitos pensadores seguem o esquema de Morgan, mas utilizam critérios diferentes para determinar os estágios da evolução.
Acredita-se que o homem explora o meio ambiente para preservar a vida e garantir a perpetuação da espécie e a tarefa principal da antropologia e especificar os fatores do desenvolvimento determinantes.
A antropologia nascente é vista de uma forma diferenciada de tudo que foi tratado até aqui. É mencionado á análise marxista. Segundo afirma o SITE WIKIPÉDIA (2010):

Tem-se desde as concepções estruturalistas de Althusser até às concepções culturalistas de Thompson, passando é claro pelas concepções políticas de Gramsci. Assim, dizer que o método de análise marxista é puramente economicista é um erro grave de quem nunca leu o marxismo em sua amplitude. O marxismo como método de análise da realidade concreta deve considerar o tempo histórico como aspiral, mas percebe-se que muitos autores - intitulados marxistas - tratam do tempo histórico com uma linearidade que muitas vezes parece positivista e evolucionista, negando, assim, sua dialética materialista.

Essa antropologia diferenciada não está imune as críticas e aos erros. Jean-Marie Auzias faz uma análise sobre a antropologia nascente que o mesmo chama de “antropologia colonialista. No livro Antropologia Contemporânea afirma Auzias (1979, p. 27) que:

A antropologia, em seus primórdios, dependia da expansão de dois imperialismos. O imperialismo do mercado apropria-se da terra dos recursos e dos homens. O imperialismo da história apropria-se de um espaço conceptual novo: o homem não histórico, aquele de quem não falamos documentos escritos.

Muito críticos afirmavam que os antropólogos estavam servindo como “amansadores de selvagens” para facilitar a colonização. As os intelectuais antropólogos afirmam que ficaram sensibilizados com a precariedade dos “selvagens” que eram dominados nas colônias, contudo recebiam verbas dos governantes para fazerem dos seus trabalhos de campo nas colônias.
AUZIAS (1979), destaca-se ainda a relevância das críticas aos intelectuais das escolas européias de antropologia feitas pela escola Norte-Americana de antropologia que ter uma visão de quem foi colonizado em relação aos colonizadores.
Foi visto vários tipos de Evolucionismo têm varias distinções, porem todas validas no estudo da Antropologia dentro dos parâmetros e objetivos a que se propõe.

CONCLUSÃO

Os antropólogos evolucionistas foram importantes no ponto da conceituação de vários termos que até hoje ainda são utilizados na antropologia e por ser o marco inicial a antropologia. Mas qual é a credibilidade pode ser dar nos trabalhos que antes mesmo na pesquisa de campo o autor já tem uma opinião formada sobre o objeto de pesquisa (o primitivo, o bárbaro, o selvagem, o não civilizado)?
Até hoje somos vítimas dessa visão evolucionista (essa filosofia do “materialismo” ou “progressismo” que predomina o evolucionismo, que avalia o ser pelo que ele tem e não pelo que ele é), anteriormente éramos uma nação de selvagens, passamos a etapa da selvageria para não-industrializados, “evoluímos para subdesenvolvidos e atualmente emergentes.
A antropologia fazia parte de um instrumento de dominação colonialista, uma forma de entender para dominar. Talvez seja esse o papel atual da antropologia de corrigir alguns enganos que sobreviveram até hoje como verdades científicas. Precisa-se de uma antropologia que vise à quebra de paradigmas social, rompa com as barreiras da dominação materialista e que sirva para chocar e iniciar o processo de instrumentalização dos indivíduos e formando pessoas de senso crítico apurado.

REFERÊNCIAS

AUZIAS, Jean-Marie. A antropologia Contemporânea, Ed. CULTRIX. São Paulo, 1976.

CASTRO, Celso (Org.). Evolucionismo Cultural. Textos de Morgan, Tylor e Frazer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

CHILDE, V. Gordon. A evolução cultural do homem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1966.

ENSINO DINÂMICO DE PESQUISA. Revolução industrial. Ed. Difusão cultural do livro. Sorocaba, 1998.

LAKATOS, Eva Maria; Marconi, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho Científico: Procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2006

MELLO, Luiz Gonzaga de. Antropologia cultural. Ed. Vozes. Petrópolis, 2003.

REIS, Nicole Isabel dos. Horizontes Antropológicos. Ed. Vision. Porto Alegre, 2004.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Cientifico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SITE INFOPÉDIA. Lewis Morgan. Disponível em . Acesso em 20 de jun. 2010.

SITE WIKIPEDIA. Evolucionismo social. Disponível em . Acesso em 18 de jun. 2010.

______. Historiografia marxista. Disponível em . Acesso em 18 de jun. 2010.

YAHYA, Harun. O engano do evolucionismo. Ed. SCB. Brasília, 2007.